Fico sempre emocionada de todas as vezes que chego à estação de Campanhã no Porto. É certo que sou pessoa de viver com as emoções na ponta da língua, mas tendo em conta que é quase semanalmente que chego à estação de Campanhã no Porto, é emoção a mais.
Salta-me ainda mais à vista, desde que passei a viajar para cima à sexta, agora que os fins de semana também significam folgas. São os abraços que me fazem logo ficar de visão turva. O mais comum são as avós que correm (como podem) para abraçar os netos que gostariam de ver com maior frequência do que vêem. Mas, também me deparo com miúdos a correr (e esses sim correm!) para abraçar a mãe. E jovens que abraçam (disfarçadamente) os pais: ainda são os reencontros mais comuns.
Durante muito tempo sempre que estava triste revia uma cena do filme "O Amor Acontece" que fala disto mesmo: de reencontros, mas nesse caso no aeroporto de Heathrow.
É verdade, o terminal de chegadas num qualquer aeroporto é ainda mais tocante. Mas, hoje em dia as diferenças não são assim tantas. Há viagens nas companhias low cost que ficam mais baratas do que uma viagem do Porto a Lisboa. Hão-de ser sempre 300 kms. E 300 kms é muito pouco. Mas consegue ser, vezes atrás de vezes, tanto. Tanto para quem não vence esses 300 kms com a mesma facilidade que eu venço. Tanto para quem não pode estar sempre a percorrer esses 300kms, pelo tempo, pelo dinheiro, pelo cansaço. Então, emociono-me de todas as vezes que chego à estação de Campanhã no Porto à sexta feira ao final do dia. É que os reencontros deixam-me emocionada e esta estação, nos tempos que correm, enche-se de reencontros.