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terça-feira, 28 de julho de 2015

Qual é o melhor sítio do mundo para viver?

Nas duas semanas que passaram trabalhei sem descanso. Meio por opção, meio por obrigação, acabou por ser assim! Fiz tudo o que tinha para fazer. Muitas vezes com menos tempo do que gostaria, mas com a mesma dedicação. Há muito que tenho esta máxima: o que faço, faço com empenho. Nem sempre tão bem, mas sempre com afinco. Cheguei ao final das duas semanas mais cansada do que esperava. E depois, uma viagem de duas horas e meia/três horas (eu que sou de conduzir devagarinho) até ao Porto de carro, porque os planos do fim de semana assim o exigiam. E ainda por cima um regresso (forçado) marcado para as duas da tarde de domingo com trabalho (ainda) pela frente. Não é fácil, o tempo que já é pouco, torna-se menor quando fazemos o que gostamos e pelo qual tanto ansiamos. Queria mais! Mas quando chego à Senhora da Hora e não ao Porto (até porque há fins de semana em que nem vejo o Porto) tudo vale a pena e mesmo o pouco tempo é o suficiente para regressar nova. É o cheiro que é diferente, o próprio ambiente. É o meu corpo que se modifica e descontrai, antes mesmo da alma. Conheço aqueles caminhos quase tão bem como me conheço a mim mesma e as paragens, as saídas, as voltas. O Príncipe Real é mais bonito  do que a Senhora da Hora. Mas nunca poderá ser o melhor sítio do mundo para viver. Mais nenhum pode ser! Só pode ser o meu sítio favorito no mundo para viver, um sítio onde me sinta em casa: o sítio que me viu nascer, crescer e ir embora. Mas que me recebe sempre de braços abertos, com a mesma humildade e com a mesma simplicidade que sempre me habituei a ter ao meu redor. Digo ,ainda, que é lá que tenho os meus e que isso também conta. Aliás, se conta... Mas há aqui muito mais do que pessoas a fazerem sítios. Há sítios que são por si só. Tão simples, mas tão importantes ao mesmo tempo. Tão complexos, no fundo. A Senhora da Hora é assim. Desde que era vila até agora que é cidade: o melhor sítio do mundo para viver. 

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Isto de viver na Praça das Flores #1

Tenho uma vizinha com um filho chamado Manel. E eu que sempre gostei do nome Manel para um filho começo a ter as minhas dúvidas. É isto quase todos os dias: "Manel para quieto; Manel não faças isso; Manel come; Manel não bebas isso; Manel cuidado; Manel vais apanhar!" Qualquer dia passa a irritar-me tanto ouvir nome Manel como a publicidade do IVA. Ainda não está lá, mas quase. Depois, há o vizinho do cão. Eu adoro cães e respeito-os: se o bicho tem saudades dos donos, é normal que ladre quando eles não estão e ladre ainda mais quando eles chegam. O pior não é o cão (o Tigre), mas sim o amigo do cão que o visita algumas vezes e que tem um daqueles donos que desejam que o seu cão seja o mais educado do mundo, até que não é. Então é ouvi-lo: "Rui, senta; Rui, não ladres; Rui, anda cá; Rui, não faças isso; Rui, vais apanhar." E quando estou quase irritada de ouvir tantos sermões penso que ainda bem que é assim. Vivo num prédio onde as paredes têm ouvidos e tenho a sorte de ser isto o que se ouve: um cão pequeno que é como uma criança e um dono prendado que é como um pai e quase vice-versa. Moro num sítio maravilhoso, mesmo quando estou quase, quase a ficar irritada! 


quarta-feira, 4 de março de 2015

Saudades de casa


Sabe quem me conhece e sei-o eu muito bem que facilmente me adapto e me moldo a qualquer contexto. É um facto que, ao contrário de muitos outros, sempre estudei sempre perto de casa (só por opção e não por medo de ir para fora) e também, ao contrário de muitos outros, renunciei ao Erasmus (só porque vivi tão intensamente a minha vida académica que não me imaginava a afastar-me por seis meses, sequer). Ainda assim, mal me vi licenciada, saí imediatamente da minha zona de conforto. Nunca fui para muito longe, mas já o disse aqui e repito: 300 kms são muito mais que 300 kms se olharmos para eles como os 300 kms que nos separam, que nos afastam, que nos fazem estar longe. E é assim que me sinto todos os dias: longe. Não há um único dia em que não tenha saudades de casa! Saudades da minha família, dos meus amigos, do meu namorado. Saudades dos cães. Saudades do meu cabeleireiro e das lojas que conheço de cor. Saudades dos restaurantes onde me recebem como cliente habitual e dos bares onde já sabem o que costumo beber. Saudades, depois, de poder ir visitar os que me fazem falta, desde Carrazedo a Ponte da Barca. Tenho fins-de-semana planeados até finais de abril, numa tentativa de matar todas as saudades. E mato-as. Mas depois volto e não há um único dia em que não tenha saudades de casa!